BANCO JC DIGITAL

POLÍTICA DE RATING E LIMITES DE CRÉDITO

Código: POL-CREDIT-007/2026
Versão: 2.0
Data de Vigência: Fevereiro/2026
Aprovado por: Conselho de Administração

CONTROLE DE VERSÕES E APROVAÇÕES

Responsáveis pela Elaboração e Revisão

Elaboração: Diretor de Crédito + CRO (Chief Risk Officer)

Revisão Técnica: Comitê de Crédito + Risk Management + Compliance

Aprovação Final: Conselho de Administração

SUMÁRIO EXECUTIVO

Esta Política de Rating e Limites de Crédito estabelece o arcabouço fundamental para a gestão do risco de crédito no Banco JC Digital. Em um cenário digital dinâmico, nossa filosofia combina a prudência bancária tradicional com a inovação tecnológica.

Mensagem do Diretor de Crédito

“O crédito é o motor do nosso negócio, mas a qualidade da carteira é o nosso freio de segurança. Esta política não serve para burocratizar a concessão, mas para garantir que cada real emprestado tenha uma probabilidade calculada e aceitável de retorno, protegendo o capital do banco e permitindo um crescimento sustentável por meio de modelos preditivos avançados.”

O documento detalha o sistema de classificação de risco (Rating) de 10 níveis, alinhado às melhores práticas de Basileia III e IFRS 9, e define limites claros de exposição para evitar concentrações nocivas.

ÍNDICE

PARTE I – DISPOSIÇÕES GERAIS – 04
PARTE II – SISTEMA DE RATING – 06
PARTE III – SISTEMA DE LIMITES – 10
PARTE IV – GARANTIAS E MITIGADORES – 14
PARTE V – PROVISÃO PARA PERDAS (IFRS 9) – 16
PARTE VI – PROCESSO DE CONCESSÃO – 18
PARTE VII – MONITORAMENTO E COBRANÇA – 20
PARTE VIII – INDICADORES E GOVERNANÇA – 22
PARTE IX – ANEXOS – 24

PARTE I - DISPOSIÇÕES GERAIS

CAPÍTULO I - OBJETIVO, ESCOPO E PRINCÍPIOS

1.1 Finalidade da Política

Definir critérios objetivos para a avaliação de risco de contraparte, atribuição de limites de crédito e constituição de provisões, assegurando consistência e transparência no processo de concessão.

1.2 Escopo de Aplicação

Aplica-se a todas as operações que envolvam risco de crédito, abrangendo:

Pessoas Físicas (PF)

Microempreendedores Individuais (MEI)

Pessoas Jurídicas (PJ) de todos os portes

Operações com garantias reais e fidejussórias

1.3 Princípios Fundamentais

Prudência: Conservadorismo na avaliação da capacidade de pagamento.

Diversificação: Evitar concentração excessiva em clientes, setores ou regiões.

Segregação de Funções: Separação clara entre quem origina (Comercial) e quem aprova (Risco).

Conheça seu Cliente (KYC): Análise baseada em informações verídicas e atualizadas.

CAPÍTULO II - BASE LEGAL E NORMATIVA

Esta política está em conformidade com:

Resolução CMN nº 4.557/2017: Estrutura de gerenciamento de riscos.

Resolução CMN nº 2.682/1999: Classificação de risco e provisionamento.

IFRS 9: Normas internacionais para instrumentos financeiros e perda esperada.

Basileia III: Requisitos de capital para risco de crédito.

Open Finance Brasil: Diretrizes para uso de dados compartilhados.

PARTE II - SISTEMA DE RATING

CAPÍTULO III - ESTRUTURA DE RATING

3.1 Definição de Rating

O Rating é a nota atribuída ao cliente que reflete sua Probabilidade de Default (PD) em um horizonte de 12 meses. É a base para precificação (spread) e definição de limites.

3.2 Escala de Rating e PD

O Banco JC Digital adota uma escala interna de 10 níveis:

3.6 Perda Esperada (Expected Loss – EL)

Calculada pela fórmula: EL = PD × LGD × EAD. Onde LGD (Loss Given Default) média histórica é de 60% para operações sem garantia e EAD (Exposure at Default) é o saldo devedor.

CAPÍTULO IV - METODOLOGIA DE RATING (PF)

4.1 Credit Scoring com Machine Learning

Para Pessoas Físicas, utilizamos modelos estatísticos automatizados (XGBoost e Random Forest) que processam grandes volumes de dados em tempo real.

4.2 Variáveis do Modelo 💳

Dados Cadastrais: Idade, profissão, estabilidade residencial e renda presumida.

Histórico de Crédito: SCR (Banco Central) e apontamentos em bureaus (Serasa/Boa Vista).

Open Finance: Histórico de pagamentos em outras instituições e comprometimento de renda real.

Comportamento Interno: Histórico de pagamentos de faturas, uso do cheque especial e frequência de transações no aplicativo.

CAPÍTULO V - METODOLOGIA DE RATING (PJ)

5.1 Análise Fundamentalista

Para empresas, a análise combina fatores quantitativos (Balanço e DRE) e qualitativos.

5.2 Indicadores Financeiros Chave

Liquidez: Corrente, seca e geral.

Endividamento: Dívida líquida / EBITDA (teto aceitável: 3,5x).

Rentabilidade: Margem EBITDA, ROE e ROA.

Cobertura de Juros: EBITDA / Despesas financeiras (mínimo aceitável: 1,5x).

5.3 Análise Qualitativa

Avalia a qualidade da gestão (experiência dos sócios), sucessão, governança corporativa, posição competitiva no mercado e riscos setoriais específicos.

CAPÍTULO VI - REVISÃO E MONITORAMENTO

Pessoa Jurídica: Revisão mínima anual. Empresas com Rating B ou inferior: revisão semestral.

Pessoa Física: Recálculo mensal automático do score comportamental.

Gatilhos de Revisão Extraordinária: Atrasos superiores a 15 dias, apontamentos no SCR, pedidos de recuperação judicial de fornecedores ou clientes relevantes e notícias desabonadoras na mídia.

PARTE III - SISTEMA DE LIMITES

CAPÍTULO VII - ESTRUTURA DE LIMITES

Os limites são tetos de exposição definidos para controlar o risco. Nenhum desembolso pode ocorrer se exceder o limite aprovado e vigente.

CAPÍTULO VIII - LIMITES POR RATING

A exposição máxima por cliente (Individual ou Grupo Econômico) é determinada pelo seu Rating:

CAPÍTULO IX - LIMITES DE CONCENTRAÇÃO

Para mitigar o risco de concentração, observam-se os seguintes tetos:

Grupo Econômico: Máximo de 10% da carteira total de crédito do banco.

Setorial: Máximo de 25% da carteira em um único setor (CNAE).

Geográfico: Máximo de 40% da carteira em uma única região (UF).

CAPÍTULO X - LIMITES DE ALÇADA DE APROVAÇÃO

A aprovação de operações segue uma hierarquia baseada no valor e no risco. O CRO possui poder de veto em qualquer alçada.

PARTE IV - GARANTIAS E MITIGADORES

CAPÍTULO XI - TIPOS DE GARANTIAS

Reais: Hipoteca/alienação fiduciária de imóveis, alienação de veículos e penhor.

Financeiras: Cessão fiduciária de recebíveis (cartões, duplicatas) e aplicações financeiras.

Fidejussórias: Aval ou fiança dos sócios (obrigatório para todas as pessoas jurídicas).

CAPÍTULO XII - AVALIAÇÃO E HAIRCUT

Para fins de cálculo de limite e recuperação, aplica-se um deságio (Haircut) sobre o valor de avaliação da garantia:

PARTE V - PROVISÃO PARA PERDAS (IFRS 9)

CAPÍTULO XIII - CLASSIFICAÇÃO DE RISCO (RES. 2.682/99)

Para fins regulatórios no Brasil, observa-se a tabela de provisionamento mínimo conforme atraso e rating:

CAPÍTULO XIV - MODELO DE PERDA ESPERADA (IFRS 9)

Stage 1 (Performing): Operações em dia e sem aumento significativo de risco. Provisão para perdas esperadas em 12 meses.

Stage 2 (Underperforming): Aumento significativo de risco (SICR), atrasos superiores a 30 dias ou queda de rating. Provisão para a vida útil total (Lifetime ECL).

Stage 3 (Non-Performing): Operações em default (atraso superior a 90 dias) ou reestruturadas. Provisão Lifetime.

PARTE VI - PROCESSO DE CONCESSÃO

CAPÍTULO XV - ORIGINAÇÃO E ANÁLISE

A originação é multicanal (App, Internet Banking). A análise de crédito deve preceder qualquer oferta vinculante. O banco utiliza motores de decisão
para respostas instantâneas em produtos massificados (Cartão, Empréstimo Pessoal).

CAPÍTULO XVI - DECISÃO E APROVAÇÃO

Operações fora da política automática (Override) ou de valores elevados são encaminhadas à mesa de análise e submetidas às alçadas competentes. Decisões colegiadas devem ser registradas em ata.

CAPÍTULO XVII - FORMALIZAÇÃO

Toda operação deve ser formalizada mediante Cédula de Crédito Bancário (CCB) ou contrato equivalente, preferencialmente com assinatura eletrônica qualificada e registro das garantias em cartório ou central de registro, quando aplicável.

PARTE VII - MONITORAMENTO E COBRANÇA

CAPÍTULO XVIII - MONITORAMENTO CONTÍNUO

Utilização de Early Warning Indicators (EWIs) para detectar deterioração antes do default. Clientes em “Watchlist” (Lista de Observação) sofrem bloqueio de novos limites e acompanhamento intensivo.

CAPÍTULO XIX - COBRANÇA E RECUPERAÇÃO

Cobrança Preventiva: SMS e push enviados 3 dias antes do vencimento.

Cobrança Administrativa: Régua de cobrança automática (e-mail, SMS e telefone) do 1º ao 60º dia de atraso.

Cobrança Judicial/Terceirizada: A partir de 61 dias de atraso.

Write-off: Baixa contábil após 360 dias de atraso ou esgotamento das vias de recuperação.

PARTE VIII - INDICADORES E GOVERNANÇA

CAPÍTULO XX - KPIS DE CRÉDITO

O desempenho da carteira é medido pelos seguintes indicadores:

NPL (Non-Performing Loans) > 90 dias: Meta ≤ 4%.

Taxa de Aprovação: Meta entre 40% e 60%.

Custo de Crédito (Provisão/Carteira): Meta ≤ 6%.

Recovery Rate (Recuperação): Meta ≥ 30% do valor baixado.

Vintage Analysis: Monitoramento da qualidade por safra de originação.

CAPÍTULO XXI - COMITÊ DE CRÉDITO

Reúne-se semanalmente para deliberar sobre grandes riscos, revisar a política e acompanhar os KPIs. Composto por CRO, Diretor de Crédito, CFO e Compliance.

PARTE IX - ANEXOS

LISTA DE ANEXOS (Disponíveis na Intranet):

ANEXO I – Escala de Rating Completa (AAA a E)

ANEXO II – Tabela de Limites por Rating

ANEXO III – Matriz de Alçadas de Aprovação

ANEXO IV – Tabela de Provisão (Res. 2.682/99 + IFRS 9)

ANEXO V – Variáveis do Credit Scoring PF

ANEXO VI – Indicadores Financeiros PJ

ANEXO VII – Haircut de Garantias

ANEXO VIII – Fluxograma de Aprovação de Crédito

ANEXO IX – Formulário de Análise de Crédito PJ

ANEXO X – Glossário de Termos de Crédito