BANCO JC DIGITAL

POLÍTICA DE GESTÃO DE RISCOS E LIQUIDEZ

Código: POL-RISK-002/2026
Versão: 2.0
Classificação: CONFIDENCIAL – USO INTERNO

Aprovado por: Conselho de Administração
Data de Vigência: Fevereiro/2026
Revisão: Anual Obrigatória

CONTROLE DE VERSÕES E APROVAÇÕES

Elaboração: Superintendência de Compliance e Riscos
Revisão Jurídica: Diretoria Jurídica
Aprovação Final: Conselho de Administração (Ata nº 124/2026)

SUMÁRIO EXECUTIVO

MENSAGEM DO CRO (CHIEF RISK OFFICER)

“A gestão de riscos no Banco JC Digital não é apenas uma obrigação regulatória, mas um diferencial competitivo. Nossa estratégia de crescimento acelerado exige uma estrutura de defesa robusta. Adotamos uma abordagem prudente de liquidez e capital, combinada com tecnologia de ponta para monitoramento em tempo real.

Nosso compromisso é claro: crescer de forma sustentável, protegendo o capital dos acionistas e a confiança dos depositantes, sem nunca comprometer nossa solvência.”

— CRO, Banco JC Digital

Objetivo

Definir a estrutura, os princípios e os limites para o gerenciamento integrado de riscos (crédito, mercado, liquidez e operacional) e capital, assegurando a conformidade com as normas do Banco Central do Brasil (CMN 4.557/2017) e Basileia III.

Apetite de Risco

O Banco busca retornos ajustados ao risco (RAROC) superiores ao custo de capital, mantendo índices de solvência (Basileia) e liquidez (LCR/NSFR) confortavelmente acima dos mínimos regulatórios.

Abrangência: Esta política aplica-se a 100% dos colaboradores, membros da alta administração e se estende a todo o ecossistema digital do Banco (correspondentes, parceiros de tecnologia, white labels). 

ÍNDICE

PARTE I – FUNDAMENTOS

PARTE II – DISPOSIÇÕES GERAIS
Cap. I – Objetivo e Abrangência
Cap. II – Base Legal e Normativa
Cap. III – Definições e Glossário

PARTE III – GOVERNANÇA
Cap. IV – Estrutura de Governança
Cap. X – Gestão de Capital

PARTE IV – APETITE DE RISCO
Cap. V – Declaração de Apetite (RAS)

PARTE V – RISCO DE CRÉDITO
Cap. VI – Gestão de Crédito

PARTE VI – RISCO DE MERCADO
Cap. VII – Gestão de Mercado

PARTE VII – RISCO DE LIQUIDEZ
Cap. VIII – Gestão de Liquidez

PARTE VIII – RISCO OPERACIONAL
Cap. IX – Gestão Operacional

PARTE IX – CAPITAL

PARTE X – MONITORAMENTO
Cap. XI – Indicadores e Relatórios

PARTE XI – STRESS TEST
Cap. XII – Testes de Estresse

PARTE XII – CONTINUIDADE
Cap. XIII – BCP e Recuperação

PARTE XIII – CULTURA
Cap. XIV – Treinamento

PARTE XIV – ATUALIZAÇÕES
Cap. XV – Governança da Política

 

PARTE XV – ANEXOS

PARTE II - DISPOSIÇÕES GERAIS

CAPÍTULO I

OBJETIVO E ABRANGÊNCIA

1.1 Finalidade

Esta política estabelece a estrutura corporativa de gestão de riscos e liquidez, definindo papéis, responsabilidades, metodologias e limites para identificar, mensurar, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos inerentes às atividades do Banco.

1.2 Escopo de Aplicação

Aplica-se a todas as unidades de negócio, produtos, serviços e processos do Banco JC Digital, incluindo suas controladas, parceiros estratégicos (como correspondentes bancários) e fornecedores críticos de tecnologia.

1.3 Relação com Outras Políticas

Esta política deve ser lida em conjunto com a Política de Compliance, Política de Segurança da Informação, Política de Crédito e Política de Investimentos. Em caso de conflito, prevalece a norma mais restritiva ou conservadora.

CAPÍTULO II

BASE LEGAL E NORMATIVA

Este documento está em conformidade com as seguintes regulações:

Resolução CMN nº 4.557/2017: Dispõe sobre a estrutura de gerenciamento de riscos e de capital (GIR).

Resolução BCB nº 4.090/2021: Critérios para gestão de riscos de liquidez.

Resolução BCB nº 4.966/2021: Novos critérios contábeis e de gerenciamento de riscos (IFRS 9).

Circular BCB nº 3.647/2013: Estabelece os requisitos mínimos para gerenciamento do risco operacional.

Basileia III: Acordos internacionais sobre adequação de capital e liquidez (LCR e NSFR).

CAPÍTULO III

DEFINIÇÕES E GLOSSÁRIO

Risco de Liquidez:
Possibilidade de a instituição não ser capaz de honrar eficientemente suas obrigações esperadas e inesperadas, correntes e futuras.

LCR (Liquidity Coverage Ratio):
Índice de Liquidez de Curto Prazo, que mede a capacidade do banco de suportar um cenário de estresse de liquidez de 30 dias.

NSFR (Net Stable Funding Ratio):
Índice de Liquidez de Longo Prazo, que requer que os bancos mantenham um perfil de financiamento estável em relação aos seus ativos.

VaR (Value at Risk):
Perda máxima esperada em um determinado horizonte de tempo, com um determinado nível de confiança.

Gap de Liquidez:
Diferença entre ativos e passivos em diferentes faixas de vencimento.

PDD (Provisão para Devedores Duvidosos):
Reserva contábil para cobrir perdas esperadas com inadimplência.

PARTE III - GOVERNANÇA DE RISCOS

CAPÍTULO IV

ESTRUTURA DE GOVERNANÇA

4.1 Conselho de Administração

Órgão máximo de decisão. Aprova o apetite de risco (RAS), define a tolerância a perdas e supervisiona a atuação da Diretoria Executiva na gestão de riscos.

4.2 Comitê de Riscos (Board Level)

Composto por conselheiros independentes, CEO e CRO. Reúne-se mensalmente para aprovar políticas específicas, revisar limites operacionais e avaliar os resultados dos testes de estresse.

4.3 Chief Risk Officer (CRO)

Executivo responsável pela gestão integrada de riscos. Possui independência funcional, reportando-se diretamente ao Conselho de Administração (linha pontilhada) e administrativamente ao CEO. Tem autoridade de veto sobre operações que excedam os limites de risco aprovados.

4.4 Comitê Executivo de Riscos

Fórum semanal de gestão tática, composto por CRO, CFO, CTO e Heads de Negócio. Delibera sobre exposições diárias, aprovação de novos produtos e monitoramento de limites.

4.5 Três Linhas de Defesa

1ª Linha (Negócios): Gestores de produtos e comercial são os proprietários do risco (risk owners). Devem identificar e gerenciar riscos na origem.

2ª Linha (Riscos e Compliance): Define metodologias, políticas e monitora a conformidade com os limites (função de controle e desafio).

3ª Linha (Auditoria Interna): Avalia de forma independente a eficácia da governança e dos controles internos.

PARTE IV - APETITE E LIMITES DE RISCO

CAPÍTULO V

DECLARAÇÃO DE APETITE DE RISCO (RAS)

5.1 Princípios

O Banco opera com níveis de capital e liquidez que garantam sua solvência mesmo em cenários de estresse severo. Toleramos volatilidade moderada em receitas, mas temos tolerância mínima para riscos que ameacem a reputação ou a licença bancária.

5.2 Métricas Quantitativas (Limites)

5.3 Semáforo de Risco – 5% dos Ativos

🟢 VERDE:
Operação normal. Riscos dentro do apetite.

🟡 AMARELO:
Alerta. Aproximação dos limites. Exige plano de ação corretiva e reporte ao Comitê.

🔴 VERMELHO:
Violação de limite. Veto imediato de novas operações. Acionamento do Conselho.

PARTE V - GESTÃO DE RISCO DE CRÉDITO

CAPÍTULO VI

RISCO DE CRÉDITO

6.1 Definição

Risco de perdas financeiras decorrentes do não cumprimento, por parte de um tomador ou contraparte, de suas obrigações financeiras nos termos pactuados.

6.2 Políticas de Concessão

A concessão é baseada em modelos de Credit Scoring proprietários que utilizam Machine Learning e dados de Open Finance. É vedada a concessão de crédito para PEPs (Pessoas Expostas Politicamente) sem aprovação em alçada superior e due diligence reforçada.

6.3 Classificação de Risco (Rating Interno)

6.4 Provisões (IFRS 9)

O cálculo de PDD segue o modelo de Perda Esperada (Expected Credit Loss – ECL):

Estágio 1:
Perda esperada em 12 meses (ativos performados).

Estágio 2:
Perda esperada na vida útil do ativo (aumento significativo de risco).

Estágio 3:
Ativos em default (100% provisionados).

PARTE VI - GESTÃO DE RISCO DE MERCADO

CAPÍTULO VII

RISCO DE MERCADO

7.1 Carteiras

Trading Book:
Destinada à negociação, com marcação a mercado diária.

Banking Book:
Destinada a ser mantida até o vencimento, gerida por accrual e sensibilidade de taxas.

7.2 Métricas e Limites

VaR (Value at Risk):
Horizonte de 1 dia, 99% de confiança. Limite máximo de 2% do Patrimônio Líquido.

Duration:
Limite máximo de 2 anos para a carteira bancária, para controlar o risco de taxa de juros.

Câmbio:
Exposição líquida máxima de 5% do PL (comprada ou vendida).

7.3 Stress Testing

Cenários de choque: +300 bps na Selic, dólar a R$ 8,00 e queda de 30% na Bolsa.
Se a perda projetada for superior a 10% do PL, as posições devem ser reduzidas imediatamente.

PARTE VII - GESTÃO DE RISCO DE LIQUIDEZ

CAPÍTULO VIII

RISCO DE LIQUIDEZ

8.1 Especificidades do Banco Digital

Reconhecemos a alta volatilidade dos depósitos digitais e a concentração em canais de funding de varejo. A gestão de liquidez prioriza a manutenção de um colchão de ativos líquidos de alta qualidade (High Quality Liquid Assets – HQLA) superior às exigências regulatórias.

8.2 Indicadores Regulatórios

LCR (Curto Prazo):
Meta interna ≥ 120%. Mínimo regulatório: 100%.

NSFR (Longo Prazo):
Meta interna ≥ 110%. Mínimo regulatório: 100%.

8.3 Gap de Liquidez

Regra

O gap acumulado não pode ser negativo em nenhuma faixa temporal crítica (até 30 dias).

8.4 Plano de Contingência de Liquidez (CFP)

Gatilhos

AMARELO:
LCR < 110%.
Ação: Restringir novas concessões de crédito.

VERMELHO:
LCR < 105%.
Ação: Ativar linhas de crédito standby e vender títulos líquidos.

PRETO (CRISE):
LCR < 100%.
Ação: Acionar Redesconto do BCB e suspender resgates (medida extrema).

Fontes de Funding Emergencial

Linhas compromissadas, venda de LFTs/LTNs, Redesconto e emissão de CDB com prêmio.

PARTE VIII - GESTÃO DE RISCO OPERACIONAL

CAPÍTULO IX

RISCO OPERACIONAL E TECNOLÓGICO

9.1 Risco Tecnológico (Digital)

Sistemas:
SLA de disponibilidade de 99,9%. Redundância de servidores em arquitetura Multi-Cloud.

Cyber:
Testes de intrusão (Pentests) trimestrais. Monitoramento de segurança 24/7 por meio de SOC (Security Operations Center).

Backup:
Replicação de dados em três zonas geográficas distintas.

9.2 Risco de Fraude

Utilização de biometria facial e análise comportamental (IA) para autenticação.
Monitoramento transacional em tempo real para prevenção de fraudes em PIX e cartões.
Autenticação multifator (MFA) obrigatória para transações críticas.

PARTE IX - GESTÃO DE CAPITAL

CAPÍTULO X

GESTÃO DE CAPITAL (BASILEIA III)

10.1 Índice de Basileia

Fórmula:
(Patrimônio de Referência / Ativos Ponderados pelo Risco – RWA) × 100%.

Patrimônio de Referência (PR):
Nível I (Capital Social + Reservas) +
Nível II (Dívida Subordinada).

10.2 Metas

Regulatório:
Mínimo de 11% (incluindo colchão de conservação de capital).

Interno:
Mínimo de 14%.

Zona de Conforto:
Acima de 16%.

10.3 Planejamento (ICAAP)

O Banco realiza anualmente o ICAAP (Internal Capital Adequacy Assessment Process), projetando as necessidades de capital para um horizonte de três anos, considerando cenários base e de estresse.

PARTE X - MONITORAMENTO E REPORTING

CAPÍTULO XI

INDICADORES E RELATÓRIOS

Dashboard Diário: LCR, NPL, VaR e disponibilidade de sistemas.

Relatórios Regulatórios (BCB):
DLO (Diário), DRM (Mensal) e DRCR (Semestral).

Relatórios Gerenciais:
Semanal para o Comitê Executivo e mensal para o Comitê de Riscos e Conselho.

PARTE XI - TESTES DE ESTRESSE

CAPÍTULO XII

STRESS TESTING

Cenário 1 (Juros):
Choque de +500 bps na curva de juros.

Cenário 2 (Liquidez):
Saque de 30% dos depósitos em 15 dias, combinado com fechamento de mercado.

Cenário 3 (Crédito):
Aumento da inadimplência para 8% (dobro do apetite).

Reverse Stress Test:
Identificação do cenário que levaria à quebra do banco, com o objetivo de fortalecer os pontos fracos.

PARTE XII - CONTINUIDADE DE NEGÓCIOS

CAPÍTULO XIII

BCP E RECUPERAÇÃO

RTO (Recovery Time Objective):
4 horas para sistemas críticos (Core Banking e PIX).

RPO (Recovery Point Objective):
Máximo de 1 hora de perda de dados.

Plano de Recuperação:
Protocolos definidos para restauração das operações críticas em fases (0–4h e 4–24h).

PARTE XIII - CULTURA DE RISCOS

CAPÍTULO XIV

TREINAMENTO E COMUNICAÇÃO

Tone at the Top:

A Diretoria deve comunicar constantemente que assumir riscos deve ser feito de forma consciente, disciplinada e dentro dos limites aprovados.

PARTE XIV - ATUALIZAÇÕES

CAPÍTULO XV

GOVERNANÇA DA POLÍTICA

Esta política deve ser revisada anualmente (em Janeiro) pelo CRO e aprovada pelo Conselho de Administração. Revisões extraordinárias ocorrem em caso de mudanças regulatórias, alteração no modelo de negócio ou perdas relevantes.

PARTE XV - ANEXOS

LISTA DE ANEXOS (Disponíveis na Intranet)

ANEXO I:
Glossário Técnico Completo (40+ termos)

ANEXO II:
Matriz de Apetite de Risco Detalhada (Limites e Responsáveis)

ANEXO III:
Metodologia de Cálculo de VaR e Stress Tests

ANEXO IV:
Fluxograma de Aprovação de Novos Produtos (NAP)

ANEXO V:
Plano de Contingência de Liquidez (CFP) – Versão Operacional

ANEXO VI:
Matriz de Riscos e Controles (RCSA)

ANEXO VII:
Detalhamento dos Cenários de Estresse